Tipos de imóvel
Comprar um Imóvel em Planta em Portugal
Um guia prático para compradores internacionais que adquiram um imóvel antes da construção ou da conclusão final.
RESPOSTA RÁPIDA
O que é diferente em comprar em planta?
Comprar em planta significa comprometer-se com um imóvel que ainda não existe na sua forma final. Em vez de visitar uma casa acabada, o comprador baseia-se em documentos: a identidade e a solidez do promotor, o licenciamento e as aprovações do projeto, as plantas e especificações da sua unidade, e um contrato que define o que será entregue, quando, e o que acontece se não o for. Os compradores estrangeiros podem comprar imóveis em planta em Portugal nas mesmas condições legais que os compradores portugueses.
A compra segue ainda a sequência habitual em Portugal — reserva, CPCV, escritura — mas o CPCV assume um peso muito maior, porque é assinado muito antes de o imóvel poder ser inspecionado e rege a construção, os marcos, as alterações e o atraso.
Esta é informação geral sobre o funcionamento das compras em planta. A documentação e os termos contratuais relevantes dependem do projeto e da transação.
Em que difere uma compra em planta
Num imóvel existente, grande parte do que se compra pode ser visto, medido e vistoriado. Num imóvel em planta, o que se compra é descrito, não mostrado: uma planta, um mapa de áreas, uma especificação de acabamentos e uma promessa de entrega. Os documentos substituem a visita.
O calendário também é diferente. O pagamento é normalmente faseado ao longo do período de construção, em vez de concentrado na escritura, o que significa que o dinheiro é comprometido antes da entrega. Isso muda o que importa no contrato: a garantia dos montantes pagos, a evidência do progresso e as consequências claras se o projeto for atrasado ou não for concluído conforme descrito.
Por fim, a contraparte é diferente. Habitualmente contrata-se com um promotor ou uma sociedade de projeto, e não com um vendedor particular, pelo que compreender quem é essa entidade — e o que possui e controla — faz parte da diligência e não é uma mera formalidade.
Onde as diferenças se concentram
- O que está a comprar — Uma unidade descrita, e não inspecionada, definida por plantas, áreas e especificações.
- Quando paga — Pagamentos faseados durante a construção, em vez de um único remanescente na escritura.
- Com quem contrata — Um promotor ou uma sociedade de projeto, muitas vezes a mesma entidade que também constrói e licencia o projeto.
- O que pode mudar — O design, os materiais, a distribuição e os prazos podem alterar-se, pelo que as cláusulas de alteração e de atraso do contrato têm peso real.
- Como verifica — O progresso é verificado através da documentação, do estado do licenciamento e dos marcos de obra, e não através de uma vistoria.
Percurso típico de compra
Uma compra em planta segue um arco mais longo do que uma compra comum, porque o período entre o compromisso e a entrega pode estender-se por meses ou anos. As fases abaixo descrevem a forma que a maioria dos projetos segue. A sequência, os prazos e os documentos concretos dependem do empreendimento e do contrato.
O percurso da compra em planta
Uma compra em planta decorre num período mais longo do que uma compra comum, e as fases posteriores à assinatura importam tanto como as anteriores. Os prazos e a terminologia variam consoante o projeto.
- 01
Escolher o empreendimento
Comparar projetos, promotores, localizações e horizontes de entrega antes de focar numa única unidade.
- 02
Analisar o projeto
Examinar o promotor, o estado do licenciamento e das aprovações, as plantas e a especificação da sua unidade.
- 03
Reservar
Retirar a unidade do mercado em termos escritos que já leu, com um caminho claro até ao CPCV.
- 04
Due diligence
Verificar o título, o licenciamento, a situação da propriedade horizontal, os ónus e a entidade contratante.
- 05
CPCV
Assinar o contrato-promessa vinculativo que define a unidade, o calendário, a data de entrega e os meios de tutela.
- 06
Construção
Acompanhar o progresso, pagar os marcos com base em evidência, e manter registo de todos os pagamentos e variações.
- 07
Pré-escritura
Confirmar licenciamento, registo e financiamento, e vistoriar a unidade face ao contrato.
- 08
Escritura
Liquidar os impostos da compra, assinar a escritura e registar a transmissão.
- 09
Entrega
Tomar posse, acordar eventuais deficiências, ligar as redes e iniciar a relação com o condomínio.
O que verificar antes de reservar
Uma reserva é muitas vezes apresentada como um passo pequeno e de baixo compromisso. Na prática, fixa habitualmente um prazo para assinar o CPCV, fixa o preço e a unidade, e envolve um pagamento cuja possibilidade de reembolso depende inteiramente da redação do documento.
Antes de reservar, as perguntas úteis são simples: a unidade está claramente identificada, o preço está completo, quanto tempo dura a reserva, o que tem de acontecer antes do CPCV, e em que circunstâncias o valor da reserva é devolvido, retido ou creditado no preço.
Antes de pagar um valor de reserva
- Identificação da unidade — A unidade, o bloco, o piso, a tipologia e qualquer estacionamento ou arrecadação devem estar identificados, e não apenas um lote ou uma referência de planta.
- Preço e inclusões — O que o preço indicado inclui e não inclui — estacionamento, arrecadação, pacotes de mobiliário, acabamentos opcionais.
- Período de reserva — Durante quanto tempo o imóvel fica reservado e o que acontece no final desse período.
- Condições de reembolso — Se o valor é reembolsável, em que situações, e quem o detém entretanto.
- Caminho até ao CPCV — O prazo para assinatura, e se está disponível uma minuta do CPCV para análise antes do compromisso.
- Condicionalidade — Se a reserva está condicionada ao financiamento, à entrega de documentação, ou a nada em concreto.
Documentação do promotor e do projeto
A diligência em planta é documental. Analisa quatro camadas ligadas entre si: quem é o promotor, o que é o empreendimento e até que ponto foi aprovado, o que é a sua unidade específica, e a que é que o contrato efetivamente obriga o promotor a entregar.
O que deve compreender antes de assumir um compromisso?
A diligência em planta agrupa-se naturalmente em quatro camadas. Cada uma responde a uma pergunta diferente: quem, o quê, qual unidade e em que termos.
O promotor
Com quem está efetivamente a contratar, e qual é o papel dessa entidade no projeto.
- Identidade da pessoa coletiva que assina o contrato, e não apenas a marca utilizada no marketing
- O seu papel no projeto: proprietário do terreno, promotor, construtor, ou uma combinação
- Se é a contraparte da transação tanto para o contrato como para a escritura
- Situação societária e registal dessa entidade
- Como a entidade se relaciona com qualquer empresa-mãe, marca ou operador promovido no material comercial
- Se as garantias, cauções ou outras seguranças são prestadas pela mesma entidade ou por outra
O empreendimento
O que está a ser construído, até que ponto foi aprovado, e em que estado se encontra atualmente.
- Documentação do projeto, desenhos e o projeto aprovado
- Estado do licenciamento e das aprovações relevantes para a fase atual do projeto
- Situação de titularidade e registal do terreno e, depois de criadas, das unidades individuais
- Propriedade horizontal, quando o projeto se divide em unidades
- Estado atual da construção e o que foi fisicamente concluído
- Calendário previsto para as fases restantes e para a entrega
- Áreas comuns, infraestruturas e equipamentos que integram o empreendimento
- Quaisquer ónus, hipotecas ou encargos que afetem o terreno ou as unidades
O imóvel
A unidade específica que vai ser sua, descrita com precisão suficiente para ser exigível.
- Identificação da unidade: bloco, piso, número, tipologia e a sua futura referência registal
- Plantas da unidade e a sua posição dentro do empreendimento
- Áreas, e como são medidas (áreas privativas, dependentes, brutas e de terraço)
- Especificações de construção, materiais, sistemas e equipamentos
- Acabamentos, incluindo quaisquer opções, extras ou abatimentos
- Estacionamento e arrecadação, quando aplicável, e se integram a unidade ou são frações separadas
- Orientação, vistas e tudo o que o material comercial invoque e que as plantas devam confirmar
O contrato
Os termos que convertem tudo o que precede numa obrigação.
- Preço e o que exatamente inclui
- Termos da reserva e o tratamento dado ao respetivo valor
- Marcos de pagamento, os seus factos geradores e como cada um é comprovado
- Prazo de conclusão, prorrogações permitidas e como a entrega é definida
- Condições associadas à compra, incluindo licenciamento e financiamento
- Como são tratadas as alterações às plantas, áreas, materiais ou equipamentos
- Consequências do atraso ou do incumprimento para ambas as partes, e o tratamento dos montantes pagos
- Qualquer garantia sobre os pagamentos anteriores à entrega, garantias e obrigações pós-entrega
A documentação relevante depende do projeto e da transação.
Descrição do imóvel e especificações
Imagens virtuais, brochuras e apartamentos-modelo comunicam uma intenção. O contrato e os seus anexos comunicam uma obrigação. A diferença entre os dois é a fonte mais comum de desilusão nas compras em planta, e é quase sempre evitável lendo os anexos com o mesmo cuidado que a brochura.
O teste prático é saber se cada característica em que confia consta de algum dos documentos contratuais, com precisão suficiente para ser exigível: a planta, o mapa de áreas, a especificação de materiais e equipamentos, e qualquer lista do que está incluído ou excluído.
O que pensa estar a comprar vs. o que o contrato define
O material comercial destina-se a transmitir uma sensação. Os documentos contratuais destinam-se a definir uma obrigação. Esta comparação não é sobre má-fé — é sobre saber em que documento se pode confiar.
Planta
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
A distribuição mostrada na brochura ou no apartamento-modelo.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
A planta anexa ao contrato, incluindo qualquer tolerância ou direito de ajustar a distribuição.
Área interior
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
Um único valor global em metros quadrados.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
Um mapa de áreas medidas numa base definida, distinguindo áreas privativas, dependentes e brutas.
Terraços e espaço exterior
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
O terraço mobilado na imagem virtual.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
Área de terraço medida, se é privativa ou comum, e quaisquer restrições de utilização.
Acabamentos
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
Os materiais vistos no apartamento-modelo.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
Uma especificação escrita de materiais, e se podem ser substituídos por equivalentes.
Eletrodomésticos e equipamentos
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
Tudo o que é visível na cozinha e nas casas de banho.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
Uma lista de equipamentos incluídos, por tipo ou marca, com tudo o que for omisso tratado como excluído.
Estacionamento
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
"Um lugar de estacionamento está incluído."
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
Lugar ou lugares identificados, a sua dimensão e acesso, e se integram a unidade ou são uma fração separada.
Arrecadação
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
Uma arrecadação mostrada na planta comercial.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
Uma arrecadação identificada, com uma área e uma posição registal, ou nada de concreto.
Áreas comuns
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
Piscina, ginásio, jardins e átrio como ilustrados.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
As áreas comuns efetivamente incluídas no projeto aprovado, o seu faseamento e os seus custos de manutenção.
Paisagismo
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
As plantações maduras mostradas nas imagens.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
O plano paisagístico do projeto aprovado e o padrão a que estará na entrega.
Mobiliário
O QUE PENSA ESTAR A COMPRAR
O apartamento-modelo, tal como decorado.
O QUE O CONTRATO E AS ESPECIFICAÇÕES EFETIVAMENTE DEFINEM
Se existe algum pacote de mobiliário, o que contém e se está incluído ou não no preço.
Se uma característica lhe importa, a pergunta útil é simples: onde está escrita, e com que precisão? Tudo o que só exista numa imagem virtual ou numa conversa não faz parte do que foi prometido.
Calendário de pagamentos
As compras em planta são normalmente pagas em várias fases, ligadas à reserva, ao contrato e ao progresso da obra, com um remanescente na escritura. A estrutura varia de projeto para projeto, e é o contrato que a controla.
Exemplo de calendário de pagamentos
Os pagamentos em planta são normalmente faseados. Este exemplo mostra a forma de um calendário e o que cada fase costuma representar. Selecione uma fase para ver o que um comprador costuma querer compreender nesse momento.
Reserva
Pago para retirar a unidade do mercado durante um período definido.
- Se o valor é reembolsável e em que circunstâncias
- Quem o detém até ao CPCV
- Como é creditado no preço
As estruturas de pagamento variam entre empreendimentos. O contrato concreto controla os montantes e os prazos.
Aspetos do CPCV
O CPCV (Contrato de Promessa de Compra e Venda) é o contrato-promessa vinculativo. Numa compra comum, fixa essencialmente o preço, o sinal e a data da escritura. Numa compra em planta, faz consideravelmente mais: define o imóvel que ainda não existe, o padrão de construção a que obedecerá, quando os pagamentos são devidos, quando deve ser entregue e o que acontece se não o for.
Como tanto depende dele, o CPCV numa compra em planta é normalmente analisado em conjunto com a documentação do projeto e não isoladamente — as promessas do contrato só têm significado se o licenciamento, as plantas e a especificação as sustentarem.
Aspetos que um comprador costuma querer compreender no CPCV
- Identificação da unidade — Como o futuro imóvel é descrito e associado às plantas, áreas e anexos de especificação.
- Preço e marcos de pagamento — Os montantes, os respetivos factos geradores e como cada pagamento é comprovado e recibado.
- Prazo de conclusão — A data ou o período de entrega, como é medido, e quaisquer prorrogações permitidas.
- Atraso e incumprimento — As consequências para cada parte, incluindo o tratamento dos montantes já pagos.
- Alterações — Se e como o promotor pode alterar o design, os materiais ou as áreas, e quais são os seus direitos nesse caso.
- Condições — Tudo aquilo a que o contrato faça depender de uma condição — licenciamento, financiamento, registo da propriedade horizontal.
- Garantias — Se existe alguma garantia, caução ou outra proteção aplicável aos montantes pagos antes da entrega.
- Cessão do contrato — Se a posição do comprador pode ser cedida, e em que termos.
Construção e marcos
Durante a construção, o papel do comprador é sobretudo de acompanhamento: confirmar que os marcos certificados para pagamento correspondem ao progresso real, manter registo de todos os pagamentos, e acompanhar as etapas de licenciamento ainda pendentes do projeto.
Em que ponto está o projeto?
A fase em que um empreendimento se encontra altera o que um comprador consegue verificar e quais as perguntas mais úteis. São diferenças práticas, e não uma medida de risco.
O marketing já começou, mas a obra ainda não teve início. Tudo é documental: o projeto, as aprovações em curso e o plano de entrega do promotor.
PERGUNTAS MAIS RELEVANTES NESTA FASE
- Que licenciamentos e aprovações já estão obtidos, e quais estão ainda pendentes?
- A propriedade horizontal já está constituída, ou ainda por registar?
- Qual é o programa desde o início da obra até à entrega?
- O que fica comprometido antes de a construção começar, e em que termos?
- O que acontece aos montantes pagos se o projeto não avançar?
Alterações às plantas ou especificações
As alterações durante a construção não são invulgares. Os materiais deixam de estar disponíveis, surgem condicionantes técnicas e os próprios compradores solicitam frequentemente variações. O que importa é saber se o contrato permite alterações unilaterais, se deve manter-se um padrão equivalente, se o comprador deve ser notificado, e se uma alteração relevante confere algum direito de objeção ou de resolução.
As variações pedidas pelo comprador merecem a mesma disciplina que a especificação original: acordadas por escrito, orçamentadas e refletidas nos documentos contratuais, e não numa troca de e-mails com a equipa comercial.
Perguntas a fazer sobre alterações
- Quem pode alterar o quê — Se o promotor pode substituir materiais, ajustar distribuições ou alterar áreas sem o acordo do comprador.
- Equivalência — Se as substituições devem ter qualidade igual ou superior, e quem o decide.
- Notificação — Se o comprador é informado com antecedência, e em que prazo pode responder.
- Tolerâncias — Se o contrato admite uma margem nas áreas, e o que acontece além dela.
- As suas variações — Como as alterações pedidas pelo comprador são acordadas, orçamentadas, documentadas e refletidas na obrigação de entrega.
Atrasos e conclusão
O atraso é o ponto de fricção mais comum nas compras em planta. O programa de construção, as etapas de licenciamento e as ligações às redes de infraestruturas estão fora do controlo do comprador, e a data de conclusão no contrato é frequentemente expressa com prorrogações permitidas.
Em vez de presumir que um atraso vai ou não acontecer, a abordagem prática é compreender antecipadamente como o contrato o trata: qual é realmente a data-alvo, que prorrogações são permitidas e por que razões, a partir de que momento o atraso passa a constituir incumprimento, e que meios de tutela existem nesse caso.
O que compreender sobre os prazos
- A data indicada — Se é uma data fixa, um período, ou uma estimativa associada a um facto de licenciamento.
- Prorrogações permitidas — O que justifica uma prorrogação e por quanto tempo.
- Notificação — Como e quando o promotor deve informar sobre uma alteração ao programa.
- Consequências — O que acontece se o prazo-limite for ultrapassado, incluindo qualquer compensação ou direito de resolução.
- Dinheiro já pago — Como são tratados os montantes pagos se o contrato terminar por o projeto não ser entregue.
- Efeitos indiretos — O impacto sobre propostas de crédito, fixações de taxa, mecanismos cambiais e planos de arrendamento ou de mudança.
Vistoria final e entrega
Antes da escritura existe normalmente a oportunidade de inspecionar a unidade concluída face ao contrato: a planta, as áreas, a especificação e quaisquer variações acordadas. É este o momento em que as promessas documentais são comparadas com o resultado físico, e é muito mais fácil resolver problemas antes de pagar o remanescente do que depois.
A entrega tem também uma vertente administrativa. Licenciamento, ficha técnica, ligações às redes, leituras de contadores, constituição do condomínio e chaves têm de estar alinhados, e o registo e as inscrições fiscais do imóvel devem refletir o edifício concluído.
Em torno da vistoria e da entrega
- Vistoria face ao contrato — Plantas, áreas, acabamentos, equipamento, estacionamento e arrecadação comparados com os anexos contratuais.
- Lista de deficiências — Defeitos registados por escrito, com um processo e um prazo acordados para a sua correção.
- Licenciamento — A licença de utilização e, quando aplicável, a ficha técnica da habitação.
- Situação registal — A propriedade horizontal e os registos prediais e fiscais da unidade a refletir o imóvel construído.
- Redes — Ligações, contratos e leituras de contadores à data da entrega.
- Condomínio — Constituição do condomínio, regulamento e início dos encargos comuns.
- Garantias — A posição de garantia legal e contratual para defeitos que surjam após a entrega.
Financiar uma compra em planta
Financiar um imóvel em planta não é idêntico a financiar um imóvel existente. As instituições de crédito avaliam um imóvel ainda incompleto, as avaliações podem ser efetuadas em fases diferentes, e os fundos são normalmente libertados na ou perto da escritura, e não em sincronia com os marcos do promotor. Isso pode criar um desfasamento entre o momento em que o promotor pretende ser pago e o momento em que a instituição de crédito está disposta a pagar.
A validade da proposta de crédito é a segunda questão. As propostas de crédito têm datas de validade, e a conclusão em planta pode deslizar. Os compradores não residentes devem também considerar as flutuações cambiais ao longo de um calendário de pagamentos prolongado, uma vez que as prestações são pagas ao longo do tempo e não num único momento.
Perguntas práticas sobre financiamento
- Pagamentos faseados vs. libertação de fundos — Que prestações têm de ser financiadas pelo próprio comprador antes de a instituição de crédito libertar qualquer valor.
- Validade da proposta — Quanto tempo dura uma proposta face à janela realista de conclusão, e o que implica a reaprovação.
- Momento da avaliação — Quando o imóvel é avaliado e com que base, enquanto ainda incompleto.
- Moeda — Como as prestações repartidas no tempo são afetadas pelas flutuações cambiais.
- Condições — Requisitos da instituição de crédito ligados ao licenciamento, ao registo ou à conclusão do edifício.
Impostos e custos da compra
As compras em planta implicam as mesmas categorias de custos de compra que as demais compras em Portugal: IMT, Imposto do Selo, custos de notário e de registo, e honorários profissionais. Os impostos da compra são normalmente liquidados em torno da escritura, e não na fase de reserva ou de CPCV, pelo que a necessidade de tesouraria não está distribuída de forma uniforme.
A classificação do imóvel é relevante para o cálculo desses impostos, e a classificação não é algo que uma brochura possa determinar. Quando um empreendimento está licenciado para fins turísticos, a presunção de que se aplica o tratamento residencial pode não se confirmar.
Erros comuns
Nenhum dos pontos seguintes é excecional. São as formas correntes pelas quais uma compra em planta se torna mais difícil do que precisava de ser.
Lista de verificação para o comprador em planta
Uma lista de verificação de trabalho para uma compra em planta. Assinale os itens à medida que avança — o seu progresso é guardado apenas neste navegador, sem conta e sem nada enviado para qualquer lado.
0 de 39 itens assinalados
Antes da reserva
Antes do CPCV
Durante a construção
Antes da escritura
Na entrega
Já está a analisar um empreendimento específico?
A orientação geral só leva até certo ponto. Se está a analisar uma unidade concreta, uma verificação específica da transação trabalha a partir dos documentos e prazos que realmente tem à sua frente.
O seu imóvel em planta faz parte de um empreendimento turístico?
Se o empreendimento estiver licenciado como empreendimento turístico ou tiver acordos de gestão ou de arrendamento, aplica-se uma camada adicional sobre tudo o que consta desta página: a estrutura do empreendimento turístico, a relação com o operador, as regras de utilização pelo proprietário e as taxas periódicas.
Perguntas de compradores sobre compras em planta
Sim. Não existe qualquer restrição de nacionalidade à titularidade de imóveis em Portugal, e isso aplica-se às compras em planta da mesma forma que às compras de imóveis já concluídos. É necessário um número de identificação fiscal português (NIF), e os compradores que não possam deslocar-se a cada fase recorrem habitualmente a uma procuração. O que muda para um comprador estrangeiro é sobretudo prático, e não jurídico: a transferência de fundos, o financiamento e a presença física para a vistoria e a entrega.
Normalmente escolhe-se um empreendimento e uma unidade específica, analisa-se a documentação do projeto e da unidade, assina-se uma reserva, procede-se à due diligence, assina-se o CPCV (o contrato-promessa vinculativo) com um sinal, e depois pagam-se montantes faseados à medida que a construção avança. Antes da escritura, a unidade é vistoriada face ao contrato e confirma-se a situação de licenciamento. Na escritura paga-se o remanescente e os impostos da compra, e regista-se a transmissão.
Quem é a entidade contratante, se a unidade está identificada com precisão, o que o preço inclui, quanto tempo dura a reserva, se o valor é reembolsável e em que circunstâncias, qual é o caminho até ao CPCV, e o estado de licenciamento do projeto. Pedir a minuta do CPCV e os respetivos anexos antes de pagar é normal.
A memória descritiva e as plantas e mapas anexos definem os métodos de construção, os materiais, os sistemas, os equipamentos e os acabamentos da sua unidade, juntamente com as suas áreas. Tudo aquilo em que se confie que não conste destes documentos — eletrodomésticos, mobiliário, um determinado azulejo, um jardim paisagístico — não faz, em geral, parte do que foi prometido.
Depende do contrato. A maioria dos contratos em planta indica uma data ou período de entrega, permite prorrogações em circunstâncias definidas, e estabelece o que acontece se a entrega ainda não tiver ocorrido até um prazo-limite. O importante é conhecer esses termos antes de assinar, incluindo como são tratados os montantes já pagos se o contrato terminar.
Tipicamente na reserva, na assinatura do CPCV, num ou mais marcos de construção, e como remanescente na escritura. O número de fases, os montantes e os respetivos factos geradores diferem de projeto para projeto — é o contrato que os controla, e não uma norma de mercado.
A situação de licenciamento deve estar resolvida, os registos predial e fiscal devem refletir a unidade concluída, o imóvel deve ser vistoriado face aos documentos contratuais com os defeitos registados por escrito, e o remanescente final, os impostos e os custos da escritura devem estar confirmados. Se houver um credor envolvido, os seus prazos de libertação de fundos têm de estar alinhados com a escritura.
Aplicam-se as mesmas categorias — IMT, Imposto do Selo, notário, registo e honorários profissionais — e são normalmente liquidados em torno da escritura. O que pode diferir é a classificação do imóvel, particularmente quando o empreendimento está licenciado para fins turísticos, pelo que a classificação deve ser confirmada, e não presumida.
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Where legal support fits
Off-plan purchases turn on the checks that happen before completion: the developer's standing, licensing and approvals, the plans and specifications attached to your unit, the payment schedule and the guarantees behind it, and the wording of the CPCV. Whichever firm you choose, choose one that acts only for you.
Legal support is provided by Valente Veiga & Associados.
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CPCV
O contrato-promessa assinado antes da escritura.
Due diligence
As verificações normalmente realizadas antes da assinatura.
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